
Rui Pereira Porto, 2001
Estudo da orientação motivacional em futebolistas de diferentes escalões competitivos
Foi nosso propósito determinar a orientação motivacional para a tarefa e para o ego, entre atletas de futebol de diferentes escalões competitivos e conseqüentemente de diferentes idades. Utilizamos uma amostra de 53 jogadores de futebol com idades compreendidas entre os 10 e os 31 anos (média= 19.02), distribuídos por 3 escalões competitivos diferentes. Todos os atletas preencheram um questionário: o TEOSQ “Task and Ego Orientation in Sport Questionaire”. Os resultados obtidos indicaram que os atletas tinham uma maior orientação motivacional para a tarefa do que para o ego. Os resultados também indicaram que os atletas mais novos tinham valores mais elevados para a tarefa do que para o ego, estando então mais orientados do ponto de vista do alcance da mestria e do dispêndio do esforço do que do ponto de vista do ultrapassar das performances dos outros.
A Psicologia do Desporto é uma área da psicologia, que surgiu nos finais do séc. XIX e que com o desenvolvimento e profissionalização do desporto, vem assumindo cada vez mais importância neste domínio.
Assim, um dos campos mais estudados na Psicologia Desportiva é o da Motivação. Aliás, Treasure e Roberts (1998), afirmam que compreender a motivação tem sido há muito, um dos tópicos de investigação mais populares, sendo a sua importância reconhecida em todos os aspectos da vida física. Neste âmbito assume-se como um principais contributos, as perspectivas sócio- cognitivas efectuadas por diversos autores nas últimas décadas, como referem Duda e col. (1995).
Estes autores estudaram o tema da motivação em contextos académicos, no entanto esses estudos passaram a ser utilizados também em contextos do desporto propriamente dito ( Duda e Whitehead, 1998).
Reconhece-se que a demonstração e as percepções de competência pessoal constituem papel central da motivação na compreensão e explicação em contextos de realização. Assim, alguns investigadores salientam cada vez mais a importância dos objectivos, adoptados e partilhados pelos indivíduos. Aliás, segundo Cruz (1996), nos últimos anos, alguns autores têm sugerido a integração da investigação no âmbito da motivação, num contexto mais amplo de modelos teóricos mais compreensivos e explicativos da motivação para a realização e para a prática e competições desportivas.
Assim, as pesquisas efectuadas e as metas perspectivadas no desporto e no exercício neste campo foram segundo Duda e Whitehead (1998), baseadas nos resultados dos objectivos de realização desenvolvidos por Nicholls (1984, 1989, 1992), Dweck (1986; Dweck & Elliott, 1993; Dweck & Leggett, 1988), Maehr ( Maehr & Braskamp, 1986; Maehr & Nicholls,1980) e Ames (1984, 1992a, 1992b). Estes resultados assentam num pressuposto comum, segundo o qual, ao colocar-se o ênfase no conseguir de resultados está-se a demonstrar competência através de elevados níveis de capacidade e evitando por outro lado a demonstração da baixa capacidade e por conseguinte a saliência de percepções de habilidade é uma característica central na luta pelos resultados. Segundo esta perspectiva as concepções de competência pessoal baseiam-se em dois tipos de orientação nos seus objectivos. Assim, de acordo com Cruz (1996), enquanto alguns atletas baseiam a sua competência, capacidade e sucesso recorrendo a critérios normativos e a processos de comparação social (ex.: ter melhor rendimento que os seus colegas.), outros consideram a capacidade e competência em conseqüência de objectivos auto – referentes e pessoais (ex.: melhorar o rendimento pessoal, relativamente ao jogo anterior.).
Podemos então ter uma perspectiva orientada para a tarefa ou para a mestria, e uma outra perspectivada para o ego ou para a performance.
Numa orientação para a tarefa, o indivíduo acredita que a competência é demonstrada sempre que a aprendizagem e a mestria são alcançadas e quando é despendido muito esforço. Neste caso, a avaliação da demonstração de competência é auto – referenciada e o indivíduo é persistente, mesmo quando confrontado com dificuldades e/ou com derrota. Isto deve-se ao facto dos indivíduos perceberem o sucesso no desporto como sendo conseguido pelo esforço/ persistência e cooperação (Williams, 1994)
Quando existe uma orientação para o ego, um indivíduo acredita que a competência é referenciada externamente. Assim a preocupação central é a obtenção de uma performance superior à dos outros, sentindo-se o indivíduo com mais sucesso, sobretudo se conseguir esse resultado com pouco esforço (Duda e col., 1995). Esta orientação assenta numa lógica de comparação social ( com os outros).
A partir destes pressupostos e examinando as diferenças individuais quanto a estas duas perspectivas, é possível estudar a variabilidade ou as diferenças das respostas dos indivíduos em contextos desportivos ( Duda & White, 1994).
Assim, propomo-nos a realizar um estudo que analise a orientação motivacional para a tarefa e para o ego, entre atletas de futebol de diferentes escalões competitivos e, consequentemente de diferentes idades, procurando assim saber se os atletas estão mais orientados para a tarefa ou para o ego. De acordo com a consulta de alguma literatura, foram levantadas algumas hipóteses para este estudo:
Hipótese 1: Os futebolistas são mais orientados para a tarefa do que para o ego;
Hipótese 2: Os atletas mais velhos são mais orientados para o ego do que os atletas mais novos;
Hipótese 3: Os atletas mais novos são mais orientados para a tarefa do que os atletas mais velhos;
METODOLOGIA
1. Sujeitos
Responderam ao questionário 53 atletas de futebol do sexo masculino, distribuídos por 3 escalões competitivos, nomeadamente, os infantis (divisão distrital), os juniores (1ª Divisão distrital) e os seniores (1º Liga de Futebol Profissional), do Sport Comércio e Salgueiros pertencente à Federação Portuguesa de Futebol, à Liga de clubes e à Associação de Futebol do Porto. Nesta amostra as idades dos sujeitos estão compreendidas entre os 10 anos e os 31 anos (x= 19.02). Assim, para o escalão infantil as idades estão compreendidas entre os 10 e os 13 anos com uma média de idades de (x= 11.78) enquanto que para o escalão júnior os sujeitos apresentam um intervalo dos 17 aos 19 anos de idade (x= 17.66). Por último o escalão senior apresenta idades compreendidas entre os 22 e os 31 anos com uma média de idades de (x=27.63).
È de realçar que esta amostra não é homogénea quanto ao número de atletas por escalão. Assim dos 53 atletas que responderam ao questionário, 33 são dos infantis, 12 são do escalão júnior e 8 são seniores como se pode verificar no quadro seguinte.
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Escalão |
Número (N=) |
Média de idades |
|
Infantil |
33 |
11.78 |
|
Júnior |
12 |
17.66 |
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Senior |
8 |
27.63 |
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Total |
N= 53 |
19.02 |
Quadro 1: Número de sujeitos e média de idades por escalão e respectivas idades
2. Instrumento
Para este estudo, o instrumento aplicado aos sujeitos da amostra, foi o TEOSQ “ Task and Ego Orientation in Sport Questionaire” que foi elaborado por Nicholls e Duda e publicado em 1992. Este questionário vem no seguimento de estudos realizados pelo próprio Nicholls ao nível académico para a criação de uma escala de orientação Motivacional. Ao nível dos contextos desportivos, Duda e Nicholls elaboraram uma versão original do TEOSQ que continha 16 itens, mas que acabou por incluir apenas 13 (Duda &Whitehead, 1998), tendo sido criado para avaliar as diferenças individuais quanto à orientação motivacional para a tarefa e/ou para o ego, ao nível desportivo e tendo por base segundo Cruz (1996), o modelo teórico motivacional de Nicholls.
Assim, o TEOSQ solicita aos sujeitos para pensarem quando se sentem com sucesso num desporto em particular e depois indiquem a sua concordância, com 7 itens de uma sub-escala que visam critérios de orientação para a tarefa (Ex.:“Sinto-me com mais sucesso no desporto quando trabalho realmente bastante”), e por outro lado, que indiquem a sua concordância com uma outra sub-escala, mas agora com 6 itens relacionados com a orientação para o ego (Ex.:”Sinto-me com mais sucesso no desporto quando os outros cometem erros e eu não”).
Para cada item, os sujeitos optam por uma de 5 alternativas intrínsecas a uma escala de tipo Likert em que: 1= Discordo completamente; 2= Discordo; 3= Nem discordo nem concordo; 4= Concordo; 5= concordo completamente.
3. Procedimento
Antes de mais, convém referir que os dados referentes ao escalão júnior e senior foram-me fornecidos por uma colega, pelo que será aqui relatado apenas o procedimento de entrega e preenchimento dos questionários referente ao escalão infantil, por mim treinado. Assim de modo a interferir o mínimo possível com o desenrolar normal do treino, o preenchimento dos questionários foi realizado antes do treino. Anteriormente já tinha tido o cuidado de os fazer saber que iriam preencher um questionário, em que as suas respostas eram mantidas anónimas, pelo que não teriam qualquer tipo de constrangimento a realizá-lo. Dessa forma, marquei o treino sensivelmente mais cedo (cerca de 30 minutos mais cedo) para que o pudessem preencher sem prejudicar o normal funcionamento do treino. Para a sua execução a nível individual forneci algumas dezenas de esferográficas no sentido de não haver ninguém à espera que o outro terminasse, para dar início ao preenchimento do seu questionário. Tive também o cuidado, no intuito de ficar com uma amostra bastante grande, de marcar o preenchimento dos questionários num dia em que as duas equipas de infantis do Salgueiros (A e B) treinassem em conjunto. Assim, dos 34 indivíduos que responderam ao questionário, 33 foram referenciados para amostra, uma vez que um questionário foi preenchido apenas parcialmente.
APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
A análise dos questionários permite-nos referir que em termos médios todos os escalões evidenciaram uma maior orientação motivacional para a tarefa e uma menor orientação motivacional para o ego.
De facto, no escalão dos infantis onde se situa a maior amostra (n= 33), podemos verificar que a média para a dimensão tarefa é de x= 4.44 (a maior de todos os escalões), enquanto que para a dimensão ego se situa em x=2.49, ou seja, no que concerne às perguntas referentes ao TEOSQ, este escalão evidenciou para a dimensão tarefa um nível de concordância (4 da escala de Likert que corresponde ao Concordo), enquanto que as questões do ego evidenciaram um nível de discordância (2 da escala de Likert que corresponde ao Discordo).
No que concerne aos juniores a média para a dimensão tarefa é de x= 3.96 (a menor média de todos os escalões nesta dimensão), enquanto para o ego o valor é de x=2.68 sendo esta por seu turno a maior média para a dimensão ego.
Por último, no que diz respeito aos seniores, a média para a tarefa foi de x=4.07 enquanto que a média para o ego foi a menor de todos os escalões registando x=2.21.
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Dimensão |
Escalão |
Média (x) |
Desvio Padrão |
|
Tarefa |
Infantil |
4.44 |
.48 |
|
Júnior |
3.96 |
.80 |
|
|
Senior |
4.07 |
.37 |
|
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Ego |
Infantil |
2.49 |
.78 |
|
Júnior |
2.68 |
.67 |
|
|
Senior |
2.21 |
.77 |
Quadro 2: Valor médio e de desvio padrão para cada dimensão em função do escalão.
Relativamente ao teste - t, estabelecemos para cada dimensão (tarefa e ego), um teste comparando os dados de um escalão com outro. Assim, fizemos um teste entre os infantis e os juniores, um teste entre os infantis e os seniores e por fim um teste entre os juniores e os seniores. Desta forma pudemos analisar o nível de significância dos valores apresentados pelas respostas dos atletas.
Assim, o primeiro teste-t (infantis/juniores) apresenta para a tarefa p= 0.020 e para o ego p= 0.470, ou seja, enquanto que o p da tarefa é estatisticamente significativo, o p do ego é estatisticamente não significativo. Isto quer dizer que no primeiro caso, o da tarefa, existe cerca de 2% de hipóteses de as diferenças entre os escalões terem sido devidas ao acaso enquanto que no caso do ego existem cerca de 47% de hipóteses das diferenças terem sido devidas ao acaso.
No que diz respeito aos testes-t entre os infantis e os seniores eles são de p=0.052 para a tarefa e de p= 0.357 no que respeita ao ego. Trata-se de valores novamente iguais aos anteriores, uma vez que existe um resultado estatisticamente significativo no caso da tarefa (apenas cerca de 5% de hipóteses das diferenças encontradas terem sido devidas ao acaso) ao passo que no ego estamos em presença de um resultado estatisticamente não significativo.
Por último o teste-t para os juniores e os seniores é de p= 0.728 para a tarefa e de p=0.162 para o ego. Assim, trata-se de resultados estatisticamente não significativos, uma vez que não se situam a um nível igual ou inferior a 0.05 para revelar significância, como se pode comprovar pela análise do quadro 3.
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Dimensão |
Escalão |
Teste-t |
Significância |
Tarefa |
Infantis/ juniores |
0.020 |
SIGNIFICATIVO |
|
Infantis/ seniores |
0.052 |
SIGNIFICATIVO |
|
|
Seniores/ juniores |
0.728 |
Não Significativo |
|
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Ego |
Infantis/ juniores |
0.470 |
Não Significativo |
|
Infantis/ seniores |
0.357 |
Não Significativo |
|
|
Seniores/ juniores |
0.162 |
Não Significativo |
Quadro 3: Valores de significância para cada dimensão entre escalões (p <0.05)
Contudo, convém referir que atendendo à dimensão da amostra não ser homogénea, isto é, haver uma grande discrepância entre a dimensão da amostra relativamente aos escalões (33 para os infantis, 12 para os juniores e apenas 8 para os seniores) convém reagrupar valores atendendo a 2 novos subgrupos: os menores ou iguais a 13 anos que contém a globalidade das amostras dos infantis (n= 33); e os maiores de 13 anos que contem as amostras dos juniores e seniores (n=20).
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Dimensão |
Subgrupos |
Média (x) |
Desvio Padrão |
Teste-t (p) |
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Tarefa |
Menores de 13 anos |
4.44 |
.48 |
0.008 |
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Maiores de 13 anos |
4.01 |
.65 |
||
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Ego |
Menores de 13 anos |
2.49 |
.78 |
0.988 |
|
Maiores de 13 anos |
2.49 |
.72 |
Quadro 4: Valores médios e de desvio padrão e de significância entre 2 subgrupos
Como se pode aferir da análise do quadro, vemos que as médias dos maiores de 13 anos são de x=4.01 para a tarefa e de x= 2.49 para o ego, exactamente o mesmo valor médio dos menores de 13 anos nesta dimensão. No que concerne ao teste –t, pode-se dizer que é estatisticamente significativo quando comparada a dimensão tarefa, não sendo estatisticamente significativo quando comparada a dimensão ego (p= 0.988).
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS E CONCLUSÕES
Como vimos na apresentação dos resultados, a dimensão tarefa foi a que apresentou os valores médios mais elevados para os 3 escalões. De facto, no que diz respeito a sujeitos situados no mesmo escalão etário e pela informação veiculada pela própria literatura, pode-se constatar que os valores médios para a orientação para atarefa são superiores aos da orientação para o ego.
Com efeito, numa revisão de estudos relacionados com esta temática, elaborada por Duda & Whitehead (1998) estes autores referem que ao nível de 70 estudos publicados com uma média de idades de (n= 12.24), os resultados médios para a tarefa são precisamente x= 4.08 + .57 e para o ego de x=2.87 + .81. Nesta revisão é de assinalar o único caso em que um estudo apresenta um valor maior para o ego ( x= 3.70 + .92)do que para a tarefa (x= 0.70), elaborado por Biddle, Akande, Vlachoupoulos e Fox em 1996 no Zimbabwe com adolescentes de idades compreendidas entre os 12n e os 14 anos (n= 159).
Também um estudo de Duda e col. (1995), ficam claros os valores superiores da orientação para a tarefa do que a orientação para o ego ( Amostra 1 em que os sujeitos masculinos tem valor x= 4.14 para atarefa e de x= 2.68 para o ego ; Amostra 2 em que os sujeitos masculinos tem um valor de x= 4.05 para a tarefa e de x=2.39 para o ego.
Assim e mais especificamente na questão se os futebolistas eram mais orientados para o ego ou para a tarefa, a hipótese 1 por nós colocada ( “os futebolistas são mais orientados para a tarefa do que para o ego”) verifica-se. Parece-nos pelos resultados obtidos, que os jogadores de futebol que compõem a nossa amostra, acreditam mais que demonstram competência sempre que alcançam a mestria e despendem esforço, do que quando ultrapassam as performances dos outros.
Estes dados são corroborados por 2 estudos realizados no âmbito do futebol. Um de Stephens realizado em 1995 com 330 jogadores de futebol entre os 9 e os 15 anos de idade, com uma idade média de (n= 11.4) m apresentam valores médios para atarefa de x= 4,24+.64 e para o ego de x= 2.81+.1.00. Um outro estudo, efectuado por Weigand e Davis, realizado em 1996 com 115 futebolistas amadores da Grã – Bretanha em que a média de idades era de cerca de (n= 24.9), denota-se mais uma vez uma superioridade dos valores para a orientação para a tarefa x= 3.75+ .53 comparativamente aos do ego x= 2.98 +.75.
Outro facto a analisar seria o da questão das diferenças dos valores médios entre escalões, ou seja, verificar se existiriam alterações com a idade nos objectivos de realização dos futebolistas. Assim eram colocadas duas hipóteses que postulavam com base num estudo efectuado por Newton e Duda (1993) em que os atletas mais velhos seriam mais orientados para o ego do que os mais novos e que estes por sua vez seriam mais orientados para a tarefa do que os mais velhos. Os nossos resultados parecem-nos indicar que de facto, os atletas mais novos são mais orientados para a tarefa do que os atletas mais velhos, como se pode verificar no quadro 2, corroborando e suportando uma hipótese por nós colocada (a hipótese 3). Contudo, a hipótese 2 (“os atletas mais velhos são mais orientados para o ego do que os atletas mais novos”) não se verifica, sendo os mais orientados para o ego os juniores com x= 2.68. Mas analisados parcialmente com os infantis (x= 2.49), os juniores são de facto mais velhos e mais orientados para o ego, mas comparando-os com os seniores (x= 2.21), os juniores são mais novos e no entanto, continuam a ser mais orientados para o ego.
Analisando a estrutura organizativa do Futebol, em que é privilegiada a competição e a criação de um ambiente em redor dos praticantes também ele bastante competitivo, prevalecem valores como (“tentar sempre ganhar aos outros” e “ser melhor que os outros”). Assim, estando os atletas mais velhos há mais tempo sujeitos a este tipo de valores, seria de esperar que tivessem um nível superior de orientação para o ego. De facto, os valores mais altos apresentados pelos juniores na orientação para o ego (x=2.68), parecem querer mostrar que o ambiente por eles vivido é de enorme competição pelo alcançar de “um lugar” na equipa senior do Salgueiros. Assim, e pela dimensão que o Salgueiros tem ao nível do campeonato português, achamos que é natural que os juniores tenham no seu pensamento o “querer ser melhor que os outros” na procura de uma passagem para o plantel senior do clube. No entanto este crescente de orientação para o ego, na continuação do escalão imediatamente a seguir, não se verifica, talvez pelo facto de a amostra ser reduzida (n=8).
Por outro lado, e pelo facto de os atletas mais velhos possuírem um maior número de anos de prática e consequentemente um nível técnico superior, será normal que eles não se rejam por orientações do tipo da mestria das habilidades uma vez que eles já as possuem. Assim, será normal que os atletas mais novos tenham uma orientação motivacional para a tarefa comparativamente aos mais velhos pelo que se pode aferir dos dados analisados. Assim, em diversos estudos é considerada a idade dos 12/13 anos para que as crianças comecem a ter um aumento nos resultados para o ego. Com efeito, no estudo de Williams (1994), este facto é referido em função da teoria avançada por Nicholls. Também Treasure e Roberts (1995), referem que Nicholls e colaboradores descobriram que é a partir dos 12 anos que as crianças começam a diferenciar o conceito de habilidade e a partir disso haver um aumento da orientação para o ego.
No entanto, para tentar suprimir esta heterogeneidade de amostras relativamente aos escalões procuramos criar uma lógica de agrupamento igual à utilizada numa revisão de estudos efectuada por Duda & Whitehead (1998). Assim, num conjunto de 8 estudos, os resultados foram analizados separadamente para menores de 13 e para maiores de 13. Os valores médios do grupo mais jovem foram de x= 4.24 + .58 para a tarefa e de x= 2.65 + .86 para o ego, enquanto que para o grupo dos mais velhos, os valores médios foram de x= 4.26 + .53 para atarefa e de x= 2.92 + .94 para o ego.
Decompondo o nosso estudo em menores ou iguais a 13 anos de idade, aos quais corresponde o escalão de infantis com idades compreendidas entre os 10 e os 13 anos e um (n= 33), temos pela análise ao quadro 4 os seguintes valores: para a tarefa (x=4.44 + .48) e para o ego (x= 2.49+ .78). No subgrupo, maiores de 13 anos, a que correspondem os escalões dos juniores e dos seniores, com idades compreendidas entre os 17 e os 31 anos e um (n=20) temos: para a tarefa (x= 4.01 +.65) e para o ego (x= 2.49 +.72). Mais uma vez, os nossos resultados parecem confirmar a hipótese 3 (“os atletas mais novos são mais orientados para a tarefa do que os mais velhos”), contrariando no entanto o verificado no estudo de Duda & Whitehead (1998) em que a orientação para a tarefa nos sujeitos mais velhos é maior do que a orientação para a tarefa dos sujeitos mais novos, ou seja contrariando também a hipótese 2 (“os atletas mais velhos são mais orientados para o ego do que os atletas mais novos”) por nós levantada, uma vez que os valores médios quer para os menores de 13, quer para os maiores de13 são basicamente iguais ( x= 2.49).
No entanto e apesar destes resultados, não se pode deixar de referir 2 valores estatisticamente significativos no que diz respeito aos Infantis/juniores e aos Infantis/seniores ao nível da dimensão tarefa, o que vem afirmar a significância dos valores encontrados para estes escalões. Mas o facto das outras diferenças encontradas através do teste-t não terem sido estatisticamente significativas pode ser explicado pela amostra ser reduzida (N= 53) e ainda poder ser devido ao facto da amostra não ser homogénea ao nível dos escalões. Assim, faziam parte da amostra muitos atletas de um escalão ( infantis= 33) enquanto que os outros dois escalões ficavam-se por poucos atletas ( juniores= 12 e seniores= 8), ou seja o seu conjunto era inferior ao escalão infantil.
BIBLIOGRAFIA
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DUDA, J.; CHI, L.; NEWTON, M.; WALLING, M.; CATLEY, D. ( 1995): “ Task and ego orientation and intrinsic motivation in Sport” In International Journal of Sport Psychology, 26, pg. 40 – 63;
DUDA, J. & WHITE, S. (1994): “ The relationship of gender, level of sport involvement and participation motivation to task and Ego orientation” In International Journal of Sport Psychology, 25, pg. 4 –18;
DUDA, J. & WHITEHEAD, J. (1998): “ Measurements of goal perspectives in the physical domain”. In Advances in Sport and exercise psychology measurement. Joan Duda, Ph. D. Purdue University Editor.;
NEWTON, M. & DUDA, J. (1993): “ Elite adolescent athletes´ achievment goals and beliefs concerning sucess in tennis”. In Journal of Sport & Exercise Psychology, 15, pg. 437 – 448. Kinetics Publishers. Inc;
TREASURE , D. & ROBERTS, G. ( 1995): “ Achievement goals, motivational climate and achievement strategies and behaviors in Sport” In International Journal of Sport Psychology, 26 pg. 64 – 80;
TREASURE , D. & ROBERTS, G. ( 1998): “ Relationship between female adolescents` achievement goal orientations, perceptionsof the motivational climate, beliefe about success and sources of satisfaction in basketball”. In International Journal of Sport Psychology, 29, pg. 211 – 230;
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